Arrependo-me de ser uma boa menina
O que faz uma mulher se arrepender ? Situações ?Problemas ? Orgulho? Devassidão? A vida?
Sentimentos confusos que fazem do pensamento humano um escravo, o amor e o ódio ao mesmo tempo, só a alma feminina entende, o medo de ficar vazia, de doer demais, de ser maltratada e principalmente de não ser escolhida.
A difícil tarefa de ser perfeita, não por um momento ou situação, mas em todos os segundos, no sexo, na relação, na profissão, e até na frente do analista. A estranha busca pelo outro, do príncipe que nunca vem, e quando chega, aparece atrasado bem embaixo da sua janela numa noite chuvosa, num cavalo branco ou num carro popular, mas dourado, com uma voz periclitante que insiste em te mostrar o caminho da felicidade, do ódio, do amor, da emoção e você deixa isso tudo escorrer pelos dedos como se fosse água por pensar que poderá se arrepender depois.
Uma mulher de uns trinta e poucos anos uma vez me disse que todo dia ela tinha alguma coisa pra se arrepender, pelo perdão que ela não se deu, pela alegria incontida, pelo filho que ela abortou, por um grande amor que nunca esqueceu, pela atitude que nunca tomou, por ficar ao lado de uma pessoa por conveniência, quem sabe só pra não ser apontada como “separada”, a “excluída”, a “diferença”.
Gloriosa são as mulheres que não têm receio de errar, que escrevem e são protagonistas da própria história, que fazem da vida um filme de suspense e aventura e procuram tirar a máscara que cobrem o seu rosto.
Vi na televisão uma pessoa famosa dizendo que não se arrepende de nada do que fez na vida. Eu me arrependo do que fiz, das pisadas na jaca, dos micos que passei, das vezes que eu tinha que ficar calada, só pra não ser notada, de ter confiado demais em alguma pessoa sem ter provas de que elas mereciam minha confiança, de ter me acostumado com o ciúme infernal, com o egoísmo profundo e com a solidão invisível. De ter trabalhado demais, de não dar importância a mim mesma, de ter procurando cuidar dos outros e o pior foi ter pensado que poderia fugir da infelicidade.
Eu me arrependo das coisas que fiz porque não havia como fazer diferente, de não estar do lado da minha avó quando ela morreu e de não ter ido ao seu enterro, das vezes que me apaixonei e fiquei quieta, embora na hora acreditasse que estaria fazendo a coisa certa. Das muitas noites e dias infinitos que chorei desesperadamente no meu quarto quando poderia ter sido mais corajosa diante de um problema aparentemente sem solução. De me sentir sem saída, de estar encurralada, presa a meus irmãos, de não dar valor a quem realmente é importante na minha vida.
Foram tantas as brigas que não tive, e as vezes que tive de pedir desculpas por algo que eu nunca entendi se errei ou não , ser atrevida o suficiente, de ter pena e ser covarde diante de uma lamúria.
Eu me arrependo de ter me contentado com o pouco, de ter procurado ser uma boa menina, de não ter lutado pelos meus sonhos, e de não ter vivido a minha vida.
(Sitna paiva)

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