estava tudo conforme o que eu seguia dizer ser uma vida normal. estava bem comigo mesmo, deixe o cigarro, a bebida, deixei de lado alguns desejos maliciosos , mas não tornei-me puritano.
o que fez-me voltar a escrever foi o desespero, o grito que tenho que descarregar. Amélia já não estava mais por perto, e a falta dela também já não é tão questionável, mas, vamos ao que interessa, vou falar do que me trouxe até esse consultório, essa descarga que me faz sentir um tanto leve, mas que não alivia minha vida particular.
estava eu em repouso depois de me levantar do coma que me comia desde o ultimo atentado a minha vida. aquele beco me persegue em pesadelos, as vezes me pego perguntando porque David se sacrificou em meu lugar, por quer ele se jogou aos braços daquele assaltante na noite do carnaval gélido que corria na França. enfim, as mascaras desse dia foi jogadas no lixo, o que me perturbava agora não era esse fato perturbador e sim a velha da pensão da qual eu moro, ela é horrível, não vejo razão para estar ali além de sobreviver, como disse, estava tudo conforme o que eu seguia dizer ser uma vida normal, até voltar a casa desta senhora que de primeira vista é nova, mas, amargurada, talvez pelo arrependimento de não ter aproveitado a vida melhor. realmente,eu sito pena dela, e desde que eu me mudei para esta pensão eu me pergunto o que agonia a vida desta senhora. talvez eu possa ajuda-la, mas só pelo fato de (tentar) buscar conversar com ela, ela se afasta, dando gritos e resmungando da vida, dizendo coisas absurdas amaldiçoando-me, e xingando-me, deixando-me frustrado, e completamente fora de mim domado de pura ira. me pergunto as vezes se ela é um ser mágico que envolve o que se aproxima de si de ira, fazendo-o desistir de si.
quando me entretia com algumas histórias de contos de humor ela me atrapalhava, assim tambem com os que se achegavam como visita daquele lugar, tanto para me visitar tão quanto para visitar outras pessoas que ali se abrigava. quando ela tirava da minha mão o que me entretia eu ficava louco, a vontade de pegar a primeira carabina que achasse era grande. lamento imaginar se ela soubesse o que passava pela minha cabeça, as piores imagens ela veria.
meu olhos pulavam para fora quando ela gritava com os outros, imagino a reação que eu teria se fosse tratado com algum descaso naquela hora por ela. o que eu sentia naquela hora era triste. bote-se em meu lugar -caro leitor- a enfermeira que faz os curativos de meus braços devido os cortes no pulso pelo acidente com David, saira de perto de mim o tempo todo, sendo assim não tinha ninguém que me acompanhasse para uma conversa. ela era bonita, dotada de um corpo esbelto, de cabelos castanhos claros, sorriso lindo que enfeitiçava qualquer um...
não sou do tipo que reclama da sorte, mas ela era uma mulher para se ter ao lado em momentos de prazer, se é que vós me entendeis. o meu revés foi exatamente pela beleza dela que cativa a todos, justamente a todos, e por todos ela me deixava só. sempre estava na sala com algum acompanhate, ficava frustrado, dava para se ouvir os gemidos daquela jovem biscate,não entendo o motivo de me amarrarem numa cadeira de rodas por estar com os punhos amarrados.
me levantei cedo, tomei café (meu novo vício), a vontade de puxar um cigarro da bolsa daquela enfermeira era tão grande que eu "corria" dali, em falar nela, ela dorme muito angelical, e apesar de tudo ela cuida muito bem de mim,... senti informar que quero a mudança de enfermeira, pois ela me fazia um tanto mal. segunda-feira chegará a novata em minha casa, e eu sei exatamente como irei ser atendido, minha irmã mais velha irá vir me visitar para conhece-la e a substitua me tratará bem, exatamente uma semana. espero que seja mais profissional e tão bonita quanto esta que esta do meu lado exatamente a uma semana.
